Você é otimista?

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[Diante de um copo com água até à metade: Está cheio até à metade, diz o otimista. Está com a metade vazia, diz o pessimista. Tem o dobro da quantidade de vidro necessária, diz o sujeito da Qualidade Total.]

O pensamento positivo não é apenas ter confiança cega. Seu poder sobre a vida das pessoas é impressionante.

Os otimistas se dão melhor que os pessimistas em praticamente todos os aspectos da vida, quase sempre conquistando mais e desfrutando de maior aceitação social. Também tendem a ser menos suscetíveis à depressão e às doenças. Segundo o professor Martin E. P. Seligman, da Universidade da Pensilvânia, “há indícios de que o otimismo estimula o sistema imunológico”.

Os psicólogos acreditam que o otimismo e o pessimismo são comportamentos que aprendemos na infância, através de modelos fornecidos por nossos pais. “O otimismo é uma forma freqüente de se explicar as dificuldades [ou desafios, se preferir] da vida”, diz Seligman.

Aqui está como funciona:

• O pessimista acredita que as desgraças derivam de condições permanentes (“Eu fui mal na prova de Matemática porque não tenho jeito com números”) e que os bons momentos provêm de condições temporárias (“Meu marido me mandou flores porque teve um bom dia de trabalho”). O otimista, entretanto, atribuiu o fracasso a causas conjunturais (“Fui mal na prova porque não prestei atenção às aulas”) e as situações favoráveis a um quadro permanente [desvinculado de oportunismos, tipo sorte] (“Ele me deu flores porque me ama”);

• O pessimista permite que uma decepção em um aspecto de sua vida influencie o resto. Digamos que tenha sido demitido. Ele não fica mal apenas pelo emprego que perdeu, mas também começa a se preocupar com a ameaça que isso representa para seu casamento e as conseqüências para os filhos. O otimista não permite que uma infelicidade contamine toda a sua vida [e por conseqüência, o meio que o cerca]. Pois é, por enquanto estou desempregado, ele pensa, minha mulher e eu continuamos unidos como nunca e a garotada vai bem na escola.

• Quando as coisas dão errado, o pessimista se recrimina. O otimista busca os fundamentos, com o propósito de acertar na próxima vez. [Viver oferece um buquê com variados tipos de acontecimentos que estabelecem vias de contato com a vida de todos nós. É preciso permanecer atento.]

“A idéia de que não adianta fazer nada impede que os pessimistas procurem melhorar a situação”, destaca Seligman. “Portanto, ao enfrentarem dificuldades, simplesmente desistem.”

Quer ficar mais otimista? Por esforço, comportamentos adquiridos também podem ser desaprendidos. O otimismo é uma habilidade que qualquer um pode dominar.

Eis uma idéia:

Teste seus pensamentos negativos. Imagine que você chegou atrasado ao trabalho. Faça uma avaliação dos motivos e procure uma solução, por exemplo: sair de casa alguns minutos mais cedo, para o caso de imprevistos. “Pense no fracasso como o resultado de uma estratégia falha, e não como defeito de caráter”, encoraja Seligman. [O que pode até fortalecer o grau de responsabilidade individual, ao contrário de buscar nos outros a razão do insucesso].

Ensaie para vencer. “Em experiências, as pessoas que se imaginam tendo sucesso têm melhores atuações do que aquelas que esperam fracassar”, explica o professor de Psicologia David Myers. Quando a provação acontecer para valer, seus ensaios mentais lhe terão dado confiança e força de vontade.

Valorize seu próprio mérito. Reconheça seus sucessos anteriores. Analise o que aconteceu de bom a você como resultado de seus esforços. Comemore as conquistas. Ter orgulho de seus sucessos ajuda a desenvolver o amor-próprio.

Estabeleça objetivos. A esperança no sucesso, segundo o psicólogo C. R. Snyder, da Universidade de Kansas, “requer tanto força de vontade quanto senso de direção, meios para conseguir seus objetivos”. Estabeleça seus objetivos com sabedoria e tenha certeza de que são realmente importantes. Se seu pai sempre sonhou que assumisse o armazém da família e você adora livros, talvez seja mais feliz trabalhando como bibliotecário.

Procure ser específico. Projetos vagos “para contribuir com a comunidade” têm menos possibilidades de obter sucesso do que a promessa de trabalhar uma vez por semana em um projeto de alimentação para famílias carentes.

Determine etapas para cumprir seus objetivos e para não se sentir esmagado pela enormidade da tarefa.

“Depois de cada pequena conquista, você conseguirá perceber seu progesso”, garante Snyder, “e se sentirá mais cheio de energia e animado com o que está por vir”.

Isto é a marca e o poder de um otimista.

(Adaptado do texto de Tamara Eberlein na Seleções Reader’s Digest. Junho 1997)

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