Como Tratar Seus Funcionários

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Há uma overdose de publicações ao estilo “maxgehringerindeanas” que dizem como você deve tratar o seu chefe, lidar com ele ou ainda se comportar numa entrevista de emprego. Além, é claro, da repetição incessante destes mesmos “conselhos” na TV.

Ou seja, você, assim como eu, sabe de cor e salteado o que deve e o que não deve fazer, pois tudo, absolutamente tudo, está contido neste pacote de publicações: trate bem o seu chefe e o selecionador.

Porém, ao valorizarmos ao extremo este tipo de coisa estamos nos esquecendo de que toda e qualquer relação é composta de no mínimo duas pessoas. E caimos no mesmo erro daquelas matérias destinadas ao público feminino que dizem que a mulher “tem que” fazer isto ou aquilo para manter a chama acessa num relacionamento, mesmo quando o cara não está nem aí para ela!

Esta é uma visão, portanto, míope e incompleta. Digo míope porque sou boazinha, a realidade é: cega!

Cegueira relacional total. Qualquer relação é feita do esforço diário entre duas pessoas. E como todas as publicações pendem apenas para um lado, meu objetivo neste texto será o oposto. Equilíbrio é necessário à vida, como todos sabem!

Então, se você é chefe, gestor, diretor, presidente ou selecionador, já parou para pensar como anda tratando os seus funcionários/candidatos?

Lembre-se que, ao escolher ou ser escolhido para assumir estas funções, é intrínseco ao seu cargo não apenas conhecer, mas ter habilidades suficientes e comportamentos (ações) que o tornem capaz de lidar com a complexidade humana, já que pessoas não são máquinas!

Lidar com gente, de fato, não é para qualquer um!

Mas seu cargo exige esta competência, e se você foi mal selecionado por alguém que não sabe avaliar comportamentos o máximo que posso te dizer é: “Sinto muito, vá e corra atrás do prejuízo!”

E saiba que o prejuízo é grande e que, hoje em dia, de acordo com uma pesquisa que faço sobre a Saúde Mental do Trabalhador Brasileiro, o maior índice de insatisfação das pessoas é justamente o despreparo de seu gestor. Então eu não estou falando bobagens, mas sim me apoiando em fatos e experiência.

Gente hoje em dia precisa ser tratada com transparência, e o que significa isto?

Não dá para sair por aí falando “Seu trabalho é super importante”, só para conseguir o que quer de teu funcionário. Isto é manipulação pura. Então primeiro conselho (odeio esta palavra, mas também detesto dicas): seja objetivo.

Objetividade é fundamental para um gestor e um selecionador de gente. Não enrole, não trate o outro como se ele fosse um burro no pasto. As pessoas de uma forma geral são brilhantes, e mesmo quando não conseguem decodificar, sentem que há algo errado em sua fala, desconectado com sua ação. Então não enrole!

Fale diretamente aquilo que precisa de seu colaborador (é assim que os funcionários são chamados hoje em dia, embora na prática sintam-se na obrigação de obedecer ou seguir ditames).

Acompanhe os seus funcionários. Nada pior de que um chefe ausente e que apenas adora um “status” ou participar de reuniões, normalmente improdutivas, tipo um “happy hour” sem bebidas alcoólicas. Aliás, se fizer reuniões com seus funcionários, seja breve e de novo objetivo, afinal eles precisam trabalhar. Nada pior do que sair de uma reunião sem saber direito o que tem que fazer e por qual razão!

Ah sim! Faça como o Tim Maia e sempre dê motivos. Valorize os funcionários que querem saber o porque de tal tarefa. Gente que aceita qualquer coisa é subserviente e tem preguiça de pensar. E espero que você não se encante com os puxa-sacos, eles são as pedras no caminho de qualquer gestor.

Um gestor precisa de certo distanciamento para gerenciar a contento. Chefes que querem ser amiguinhos de funcionários normalmente são péssimos em sua função, pois confundem as coisas. Como aqueles selecionadores que, ao dar retorno negativo a um candidato, dizem a frase mais piegas do mundo: “Infelizmente, o senhor não tem o perfil para a nossa empresa.”

Este negócio de falar “infelizmente” pode soar até bonitinho para uma menina de catorze anos dispensando o mocinho que quer namorar com ela, mas não convence um adulto. Seja claro, sempre dê motivos e se apoie em fatos, para, por exemplo, chamar a atenção de alguém.

Cuidado com as preferências pessoais, do tipo “gosto mais de fulano ou de beltrano”. Você está na empresa não para fazer amigos, mas sim para gerenciar ou selecionar pessoas. Bons gestores, assim como bons selecionadores, seguem critérios claros de comportamento e desempenho, e não cor da pele, religião ou olhos azuis.

Seja justo na hora de pagar as pessoas, só os exploradores pagam pouco a fim de obter resultados. E lembre-se que gente de fato talentosa não aguenta trabalhar muito tempo com um tirano.

Se a sua equipe está desmotivada o primeiro problema é seu, o segundo é a empresa. Os princípios andragógicos (educação de adultos) mais modernos nos dizem que adultos são automotivados. Então, salvo exceções ligadas a administrar por competição, nenhum ser humano precisa de incentivo ou de cenouras.

Se a sua equipe está sempre desmotivada, analise os motivos. Veja, por exemplo, se está contratando gente que não tem nada a ver com a sua empresa ou com você. Seleção de pessoas implica em buscar pessoas alinhadas aos valores da empresa, e não o contrário. Ou seja, contrata-se qualquer um e depois se busca o enquadre através de planos mirabolantes de treinamento ou palestra ditas motivacionais (?).

Faça cursos sobre pessoas, e como lidar com elas. Não aqueles que visam a manipulação ou a pregação (pessoa são inteligentes, lembra?), mas sim aqueles que o desenvolvam em primeiro lugar como gente. Já está mais do que provado que gestores bem resolvidos são os melhores. O motivo é simples: eles não projetam sobre os outros suas “neuras”; são mais justos pois tratam cada funcionário como um ser diferente sem se confundir com eles; não se apoiam em dogmas que nada têm a ver com o desempenho profissional; e, principalmente são menos ansiosos e, desta forma, mais espontâneos e criativos.

Em minha opinião, ao invés de fazer processos de coaching, gestores deveriam fazer psicoterapia. Afinal, ninguém merece carregar a dor do outro, principalmente os funcionários.

E está cheio de gente bipolar nas empresas, os famosos chefes de lua. Num dia eles estão ótimos, até para se pedir um aumento. No outro, eles mal olham na cara da equipe.

Há outros que são assustadores e infelizmente bastante comuns: são os psicopatas.

São charmosos, encantadores, as empresas adoram os seus resultados, mas são manipuladores ao extremo. As pessoas para este tipo de chefe não passam de coisas usáveis e que, depois, ele ou ela com a maior cara de pau joga fora sem culpa. Aliás, psicopatas não sentem culpa.

Então, trate bem os seus funcionários. Isto não significa um “baba ovo”, mas sim ser objetivo, dinâmico, ouvir o que as pessoas têm a lhe dizer, passar tarefas com clareza, acompanhar e, claro, cuidar sempre e eternamente de sua saúde mental.

Gente que trabalha com gente precisa burilar-se na prática. Senão, pode virar aquele tipo que só repete coisas que leu, viu ou ouviu em algum lugar, se tornado absolutamente inócuo e sem valor para a outra parte da relação.

Funcionários infelizes/desmotivados/lerdos ou foram mal selecionados, ou têm um péssimo chefe.

Autoria: Suely Pavan, Psicóloga e Psicodramatista

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